sábado, 26 de março de 2022

Feliz Aniversário!

 


Amava bicicleta.

Era livre e voava alto, feito as borboletas que a acompanhavam.

Cozinhava. Costurava. Cantava. Dançava. Escrevia. Vivia.

Mãe do F., que cresceu lindo e cabeludo.

Vegetariana, sustentável, responsável, consciente.

Quando divulgava um quarto disponível para locação em sua casa colorida, sempre batia uma vontade de compartilhar desse coração generoso mais de perto.

Quando lhe contei que tinha ganho uma bicicleta, me indicou um local para revisar os pneus e me deu de presente um alforje - um tipo de bolsa usualmente presa a uma sela para o transporte de objetos - atualmente bastante usada em bicicletas.

Um projeto seu junto a uma cooperativa de mulheres que confeccionava essas peças com material reciclado vindo de banners inutilizados. 

O tempo passou, acabei doando a bike e de brinde foi a mala de garupa, que agora me trouxe um pouco de saudade.

O tempo passou.

Fiquei um tempo sem verificar o Facebook, e o whatsApp através do qual ela soube do meu problema de saúde e lá trocamos apoio e carinho, foi desativado.

Como já tinha feito Mestrado em Barcelona, as últimas notícias que tive foi que estava juntando dinheiro para o seu Doutorado, na mesma cidade, e imaginei que estava ocupada e envolvida com isso, daí, a falta de contato.

Dia 23 de março chegou e o FB me lembrou do seu aniversário.

Entrei no seu perfil, mais por curiosidade quanto às novidades e fui surpreendida.

Surpreendida por ela, da qual quase não se fala, mas que eu achava que até tinha uma certa aceitação e compreensão - a finitude.

O jeito que descobri foi um soco no estômago e há 4 dias estou remoendo uma dor que precisava ficar registrada aqui ou em qualquer outro lugar.

Jamais pensei em entrar no perfil de alguém para parabenizar pelo aniversário de nascimento e perceber chocada e tristemente que já havia dois anos que essa pessoa havia partido.

Interessante (não sei se é a palavra) como tudo isso mexeu comigo.

Não acreditei até chegar na mensagem em que seu filho informou sobre velório e sepultamento em 09/02/2020. Uma noite de sábado a levou em função de um ataque de asma.

Em pensar que uma semana antes ela fazia uma postagem sobre o aniversário do filho e sobre a felicidade de ser mãe há 21 anos.

Mulher forte, de opinião, sorriso largo e olhos marcantes - creio que devia ter traços espanhóis ali e acolá.

Roupas descoladas e coloridas, que eu adorava! De vez em quando, ousava em unhas vermelhas que lhe caíam muito bem, assim como o cabelo lindo de um grisalho corajoso e assumido, também precocemente.

Dentre tantas coisas que vêm povoando meu caminho ultimamente, creio que essa experiência foi a mais marcante, que me trouxe tanto introspecção como reflexão.

Talvez o que console foi o seu legado deixado e a dor de uma pandemia e uma guerra que ela não chegou a conhecer.

Mesmo assim, com certeza gostaríamos de sua voz aqui, ainda alta, rouca e risonha.

Continue brilhando! No meu coração pessoas como você serão sempre estrelas!

In memoriam G.S.M.F ♥ 


sábado, 28 de agosto de 2021



Mala pronta!

Desta vez mais leve, ou quase... Como deve ser a vida.

A viagem vai ser longa, mas dispensa passaporte e avião. Apesar da pandemia, é segura e segue todos os protocolos de segurança.

Um calendário já foi feito: "SETEMBRO DA CURA"! Papel-cartão verde, recheado de florzinhas coloridas, já homenageando a chegada da prima Vera no dia 22.

Uma aventura de 30 dias para resgatar a vida, cujos dias irão sendo riscados a cada anoitecer, em gratidão a 24h vencidas.

Um desafio que promete muitos perrengues, mas "viajada" que sou, sei que vou superar cada um deles, um dia de cada vez!

A equipe do "hotel" é maravilhosa!

A psicóloga A. prometeu me visitar todos os dias. 

Ouvi só elogios falando da nutricionista F., e a enfermeira B. me acolhe amorosamente no whatsApp.

Essa tranquilidade e confiança se devem também à Dra. G., uma médica que tem idade para ser minha filha, e que terminou a consulta com um sonoro "VAI DAR TUDO CERTO, MULHER!!!" 

Já deu!!!

Até breve! Talvez mais breve do que eu imagino...

Só não prometo ficar muito por aqui.

Preciso aproveitar uma outra maratona. Na Netflix!

Hotel muito chique esse! ♥









segunda-feira, 12 de julho de 2021

motivAÇÃO



Dias atrás me vi falando que inspiração não tem hora. E não tem mesmo!

Eu havia me comprometido a postar toda segunda-feira e comecei a falhar, ou melhor, ela começou a me deixar na mão.

E aí me pus a recordar como eu escrevia mais quando costuma ir à pé para o trabalho. Especialmente pela manhã, era como se a minha escrita criativa criasse asas e precisasse voar. 

Eventos, situações, encontros, paisagens... tudo era assunto para um bom texto.

Com a minha cirurgia e depois a pandemia, isso tudo foi ficando um pouco fora de alcance e assim como o mundo, precisei me reinventar, mas minha escrita enfraqueceu um pouco.

Também pela dificuldade em ficar sentada e pelas dores enfim aliviadas, mas me flagrei da importância que é andar por aí com olhinhos curiosos e saltitantes.

É como se literalmente faltasse assunto, pois pra mim, geralmente eles estão lá fora.

Mas aos poucos vou voltando. 

Com nariz e boca cobertos, mas os olhos mais atentos do que nunca!

caminhANDO


Domingo é um dia como outro qualquer, mas acredito que para a maioria das pessoas, ainda traz um "q" de especial.

E quando ele resolve aparecer brilhante, ensolarado e vestido de azul, ganha toda a minha paixão.

É incrível como essa energia nos traz movimento e nos carrega pra rua.

E ontem, foi exatamente assim!

Como o clube de leitura das 10 foi cancelado, substituí a atividade por uma passeio. Eu, meu celular e meu fone de ouvido.

O movimento estava intenso na avenida, mas segui meus primeiros passos concentrados numa live de uma pessoa que é um exemplo pra mim pelo seu estilo de vida e de quem sou fã. Já feliz por aquele momento!

A entrevista foi terminando e à medida que eu caminhava, meus olhos eram como crianças buscando com quem conversar.

O caminho foi quase o mesmo de sempre, mas para uma mente curiosa e inspirada, cada canto é sempre novo e arteiro.

Encantada com algumas palmeiras, cheguei até a percorrer uma rua nova, que me trouxe uma surpresa ao encontrar uma casa de estudos de um assunto que gosto muito e um dálmata que não permitiu ser fotografado.

Flores, pessoas, cães, plantas, fachadas. Tudo merece um clique quando ando por aí, e tenho vontade de registrar tudo. 

Na verdade, as fotos eram de paisagens comuns, nada demais, mas tudo depende do nosso olhar!

Enxergar grandiosidade nas pequenas coisas, não tem preço!

Só gratidão!



  


terça-feira, 29 de junho de 2021

inspirAÇÃO



Minha inspiração é rebelde.

Assim como eu.

Às vezes, preguiçosa.

Outras vezes hiperativa. 

Tem suas próprias regras.

Aparece quando quer.

Não tem hora.

Eu a esperei ontem, mas ela não veio.

Apesar do frio, chegou hoje, junto com o sol.

Bem-vindAÇÃO!




segunda-feira, 21 de junho de 2021

Lavando a alma




Lavava c♥rações pra fora e 
não entendia como c♥rações se sujavam tanto!

Chegavam de todo jeito:
sujos de ódio, encalacrados de tristeza,
imundos de desilusão.

Alguns apareciam partidos.
Outros, em cacos, gritando por um mosaico
que lhes desse um outro sentido.

Piores mesmo, 
eram aqueles que chegavam sujos de sangue.

Por melhor que fosse o sabão,
nem a mais poderosa das águas sanitárias conseguia remover 
aquele dolorido rouge.

Eram os únicos que voltavam pra casa meio manchados,
com as feridas ainda meio abertas.

Depois ficou sabendo que água com sal ajudava a remover
as manchas ...
mas não teria coragem! Seria ardido demais!

Já os outros, retornavam praticamente novos!

Amorosos, alegres, reconstruídos, confortados,
fortes e corajosos! Com etiqueta e tudo e ainda cabide colorido!

Com a cor renovada, acalentados à ferro e ainda muito cheirosos!

Batendo mais fortes do que nunca!

Prontos para mais um caso de am♥r !!!









domingo, 6 de setembro de 2020

Tarde de domingo



O dia está lindo! 

Sol de um setembro que anuncia mais uma Primavera.

O vizinho permanece em sua cadeira de balanço e entre um cochilo e outro, assiste um jogo de futebol virtual, solitário.  

Arquibancada vazia. São Paulo x Fluminense 

Na casa ao lado. Chuveiro ligado.

Toma banho. Sabonete de rosas. Presente da cunhada inglesa.

Se põe num vestido florido, na altura dos joelhos. Solta os cabelos, afinal de contas é domingo e eles já passam a semana inteira presos...

Passa um batom rosa clarinho e lembra de um lápis de olho azul, quase no fim, que ela adora!

Abre o portão, olha para os lados e sai.

A lixeira mais próxima está logo ali!  


Portas abertas




Quase em frente de casa tem um bar, disfarçado de "banca", e também quase ao lado, um outro, esse sem disfarces.

O primeiro abre cedo, mas ainda com as portas fechadas, sempre recebe a visita de um carro, que fica parado na esquina. Rua sem saída.

Às vezes, ao abrir minha janela do quarto, que dá de frente para uma avenida, repouso meus olhos nesse veículo e no seu motorista, o qual mal enxergo e me ponho a pensar no que leva um homem de meia idade a esperar ansiosamente a abertura de uma porta que o presenteará com um gole, que o preencherá de um vazio.

E o mesmo se repete todo dia, com exceção do domingo. Creio que ele sabe que nesse dia especificamente, o bar abre depois das nove... talvez porque no sábado ele encerra suas bebedeiras na madrugada dominical.

Já quanto ao movimento do bar ao lado, não posso dar muitos detalhes pois não estão ao alcance dos meus olhos, mas algumas notícias chegam aos meus ouvidos. O dono, um senhor de seus 70 e poucos anos, faleceu semanas atrás. Talvez tenha preferido manter-se "cara limpa" aos servir seus clientes, que como ele, não usavam máscaras ao desfrutar de mais um copo.

Quanta ironia do destino. Logo eu, que tenho aversão à bebida alcoólica desde sempre.

E o pessoal continua lá! Firme e forte, ou quase!!! 

As vozes se fazem altas e as risadas idem. 

Mas, e o que posso dizer eu de uma felicidade sem máscaras?  Sim, pois essa alegria se mantém atrás dos panos e só sai em cena motivada pelo vício, quando as cortinas se abrem.

Talvez isso tudo seja para eu exercitar minha compaixão, minha crítica e meu julgamento. Talvez para eu abrir as portas do meu coração diante de tanta impotência.

Cada um com suas escolhas e só cabe a mim respeitá-las.

Tim-Tim! Um brinde a mais um domingo de portas abertas!

P.S.: Apesar da minha aversão ao álcool, preciso admitir que algumas fachadas são fantásticas!!! E essa? Adivinhe se não fica em Londres... ♥ 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

F L O R



O calendário me diz que Setembro chegou!

Que com ele venha a esperança de que as flores ainda perfumem.

De que as cores ainda encantem.

De que os humores ainda mudem, se elevem e nos façam rir.

De que os sabores nos transportem para além do oceano.

De que os amores ainda se encontrem.

De que o calor aqueça e acolha quem realmente precisa.

De que a dor que veio, realize sua missão e vá embora.

Setembro chegou!

E com ele os jardins e os parques vibram e sorriem!

Será que a Prima Vera vem?


sexta-feira, 3 de julho de 2020

MULHER





Sublimou.
Amou.
Coração apertou.
Ressuscitou lágrimas,
se comoveu.
Emocionou!
Seu martírio transmutou.
Seu aprendizado compartilhou.
Seu sagrado aceitou.
Diante de seu sonho, se ajoelhou e
Anjo o concretizou.
Num lago sua poesia se refletiu.
Deslumbrou
e o rouxinol cantou.
Sorriu!
E o céu se abriu!

sábado, 16 de maio de 2020

Kafka e a boneca viajante


Imagem de Kafka e a boneca viajante

Tempos atrás ouvi de uma amiga essa história e fiquei encantada.
Aliás, cada vez que a releio, sinto que ela ainda me encanta.
Então, que esse encantamento continue aqui, bem guardadinho.

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Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular.

Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca.
Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.


Não tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia : “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo. ”.

Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas , que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo : Londres, Paris, Madagascar…

Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!

Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra ( Kafka e a Boneca Viajante ) onde o escritor imagina como como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.

No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca.
Ela era obviamente diferente da boneca original.

Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”.

Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.

O bilhete dizia:
“Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.
Franz Kafka e a Boneca Viajante

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Coração




 O que é felicidade verdadeira pra você, perguntou a professora? Escolha uma foto ou uma imagem que a represente. 

Essa era a tarefa de casa do fim de semana.

A menina, animada, nem acreditava que o sábado tinha chegado. Pegou ligeiramente sua câmera, foi lá pra fora e dos fundos de sua casa registrou uma imagem linda do céu azul, um pedaço da araucária e um cantinho da ameixeira.

Feliz com sua captura, tinha certeza de que a professora iria gostar.

A ansiosa segunda-feira chegou.

- Muito bonito, disse a professora. Dia ensolarado, céu azul... mas, e se estivesse nublado, ou mesmo chovendo, a tal "felicidade" projetada nessa foto seria a mesma?

E a menina se pôs a pensar.

Até que ela gostava de dias nublados e adorava a chuva. Podia ficar de pijama, ir para debaixo das cobertas ou para a frente da TV com uma bacia enorme de pipoca; mas nada como a alegria de um lindo dia de sol!

Então a professora explicou que a felicidade verdadeira não deveria estar condicionada a nada, nem a ninguém. 

Que ela estava dentro de nós. E que sempre que a levávamos para fora, ela se mascarava e não se revelava verdadeiramente.

A menina refletiu, se questionou e sua resposta a levou para dentro, do lado esquerdo do peito e rapidamente puxou uma imagem do Google. 

O céu continuava azul, mas o protagonista agora era outro.

Genuinamente...

O coração!


terça-feira, 12 de maio de 2020

Alegrias



Sempre fui muito perfeccionista.
Sempre procurei fazer as coisas o mais correto possível.
Fazer algo de qualquer jeito sempre me incomodou e me angustiou.
Mas aos poucos fui compreendendo que o perfeccionismo tem o seu lado bom e o seu lado ruim.
Hoje começo a entender que precisamos aceitar e amar a imperfeição, e
isso tem sido LIBERTADOR!!!
A perfeição não existe e ela não precisa e nem vai mais me assombrar e me limitar.
Aos poucos vou buscando espaço e tempo para me mostrar mais.
Andei muito escondida.
Talvez por vergonha, medo e insegurança de não atingir algo que hoje entendo,
não existe.
Vou encontrando a liberdade de me expor.
De mostrar meu traço torto. Meu lápis inadequado. Meu papel isso, minha fala aquilo.
Lembro de uma frase que um dia publiquei na rede social dizendo: quem foi que disse que uma flor não pode ser azul? 
Hoje entendo que ela pode. Se eu quiser! Se eu me permitir!
Começo a entender que uma obra de arte não ser precisa ser perfeita pra ser considerada como tal.
Começo a valorizar mais o que eu crio.
Porque é meu. Sou eu! 
E com isso me amo mais! 
Começo a despertar alegrias adormecidas.
Suspiro!
E sorrio! 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

April




Anos 80 e um orgulho GRANDE dos meus 20 anos.

Eu trabalhava durante o dia, fazia faculdade à noite e nos sábados à tarde ainda tinha energia para as aulas de inglês nas Escolas Fisk da Rua Carlos de Carvalho.

Na minha turma, um rapaz alto e magro, com nome tão diferente que não consegui entender num primeiro momento, mas logo ficamos amigos.

Após o término da aula seguíamos juntos para o ponto de ônibus, mas não sem antes passar na pastelaria do japonês da Westphalen.

Ele fazia Biologia na PUC, tinha o sonho de ir para o Canadá, mas acabou indo parar em Portugal.

Vinha pra cá de vez em quando para visitar parentes e amigos e sempre passávamos bons momentos juntos. Às vezes até na virada do ano junto da família e daquela barulhada toda.

O tempo passou e nos encontramos em Londres, em 1996. Voltei pra casa depois de 3 anos por lá e ele permaneceu.

Nos descobrimos amantes das letras e das artes. Um dia ainda comentamos até sobre escrever um livro juntos. Eu crio, colo e invento e ele desenha e pinta muito bem.

Mora na Inglaterra até hoje. Tem seu emprego público, conseguiu comprar sua casa e continua viajando, mesmo que às vezes sozinho.

Em 2012 foi conosco pra Paris e até hoje fica impossível não rir com os perrengues franceses.

Quase não nos falamos, mas estamos sempre conectados.

E no início desse abril, a triste surpresa.

Foi internado. No alto dos seus quase 2 metros de altura, o Covid-19 o alcançou.

E nessa captura, continua no hospital já há quase um mês,  mas depois de 10 dias na UTI,  aos poucos vem reagindo positivamente.

E vem nos dando esperança. E vem nos reforçando a fé. E vem nos lembrando que somos muito pequenos diante de algo tão grande e devastador.

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Que susto, meu amigo!

Gostaria de dizer que sofremos com você todo esse mês de abril e nunca esqueceremos o quanto mentalizamos sua recuperação.

E as boas vibrações continuam!

Queremos celebrar essa vitória com você, em volta de uma mesa, com a janela bem aberta, deixando entrar todo o ar que precisamos para seguir junto daqueles que fazem parte da nossa história.

O cardápio pode ser aquele seu Bacalhau, um vinho bem especial e a sobremesa fica por minha conta.

Já estamos te esperando!

Aqui ou aí.

Só falta marcar a data.

Take care!

Love you! xxx

P.S.: Peguei emprestadas algumas ilustrações suas que encontrei no Facebook. Espero que não se importe. ♥ 






Um novo olhar






E abril termina recheado de incertezas 

e as perguntas continuam sem respostas.
E as portas seguem trancadas, 
os rostos cobertos e o toque suspenso.

Mas as janelas começaram a se abrir,
o sol foi convidado a entrar,
o sorriso aprendeu a dar bom dia,
e seguimos juntos, apesar de separados,
 longe, mas mais perto do que nunca.

Buscamos nos encontrar nos desencontros.
Procuramos fazer o que nunca foi feito.
Limpar o que nunca foi limpo,
lavando inclusive a alma.

Acabamos nos dando conta que não tínhamos tempo e agora que temos, não sabemos o que fazer com ele.

E de repente o povo se pôs a faxinar, a cozinhar, a estudar com os filhos, a ligar para os pais, a escrever, a desenhar, a pintar, a escrever, a dançar, a cantar, a brincar, a bordar, a meditar, a fazer ioga, a estudar mandarim, a fazer curso disso e daquilo.


Um novo normal que está matando lá fora, mas que está trazendo vida às nossas vidas, aqui dentro.

Dentro de cada lar cuja liberdade de ir e vir, ia e vinha, mas não tinha tempo para o outro. Seguia imersa numa corrida desenfreada que esquecida do presente, estava sempre pousada no futuro.   

Pois feito criança de castigo, fomos obrigados a nos refugiar dentro de nossas próprias casas e olhar, dia após dia para os nossos.

Olhar bem dentro do olho dos nossos conflitos e nossos fantasmas 
e sugerir um novo olhar.
  
Decidir se continuamos anestesiados ou acordamos para a vida e resolvemos olhar melhor para nossos alimentos, aqueles
que nutrem a alma.

Decidir se olhamos pra dentro de nós ou continuamos olhando somente para fora, com as  lentes embaçadas. 

Que depois de tudo isso, continuemos sorrindo com um olhar e abraçando com um sorriso.
Que nossos olhos alcancem o outro.
Que as mãos, agora livres, cuidem da Mãe Terra com o respeito e carinho que ela merece.

Que os abraços sejam mais valorizados do que nunca.
E mais apertados.
Num nó que não se desfaça tão cedo.
Vários nós!

Todos juntos e misturados.

domingo, 26 de abril de 2020

Inspirando, expirando, respirando





Dia especial por aqui.

Depois de uma noite escura e um parto sem dor,
deu-se a luz
e o dia nasceu azul,
e o sol brilhou,
e os olhos se fecharam.

E os pulmões
inspiraram 
e
expiraram. 

E a 
 cada respiração
penso naqueles
que anseiam por uma gota de ar
e doo um pouquinho de esperança.

Sigo bem, 
talvez numa felicidade egoísta,
mas no momento,
cuidar de mim mesma
é tudo o que posso e devo fazer.


Apesar da dor lá fora,
e de abrir a janela todo dia,
tenho voltado aqui pra dentro,
tentando colocar em ordem 
a mente e o coração.

Ando rindo à toa,
conversando com minhas plantinhas,
dançando pela casa,
cantarolando no jardim.

Sigo
grata por mais um dia,
feliz por estar conseguindo
levantar cedo, 
meditar, fazer ioga.
Ainda do meu jeitinho.
Ainda meio desajeitada.
Mas feliz.

Sigo
deixando os pensamentos 
irem e virem,
num balanço
que acalma,
equilibra,
energiza,
e faz o dia nascer 
ainda 
mais 
a z u l.  

segunda-feira, 23 de março de 2020